Cara, as barbaridades que o mercado promo tem aprontado não tem fim. E quando a gente pensa que tudo que podia ser feito de descalabro, vem uma nova e coloca a gente de boca aberta.
Ontem, num papo de fim de noite com dois amigos produtores com os quais tenho conversado muito em razão de uma promessa feita aqui no Promocitários, ouvi um absurdo sem tamanho que, segundo eles, freelas de primeira, tem se tornado norma em boa parte das agências.

É o seguinte. Não satisfeitas em sua saga de destruir marcas e inviabilizar o verdadeiro marketing em troca de economias absurdas, as áreas da Compras e Suprimentos de alguns clientes, fizeram novas vítimas, depois de terem tornado reféns agências e fornecedores. As novas vítimas são…. Tchan, tchan, tchan… o produtores, recepcionistas, carregadores… AS PESSOAS.
Isso mesmo, depois de fazer as agências financiarem seus eventos, fazendo-as receber em 60, 90, 120 e até 180 dias depois de eles terem acontecido, numa incompreensível lógica de um mercado desorganizado, que é a de que o contratado é quem deve pagar para fazer o seu trabalho, não raro, absurdamente, exigindo descontos no valor acordado (Como?????), o que gerou uma distorção também incompreensível de agências, igualmente incompreensíveis, que obrigaram boa parte se seu fornecedores a receberem no mesmo prazo que elas ou 30 dias depois delas, compras e suprimentos atingiram agora as PESSOAS, o RH, os Profissionais.
Entendemos que as agências, (aquelas que não são bancos, não tem investidor financeiro ou caixa, claro) não tem outro jeito a não ser repassarem esse prazos aviltantes a seus fornecedores, pessoas jurídicas, que podem em alguns casos arcar com a demora nesse pagamento (o que pra mim já é uma loucura sem tamanho), mas fazer o mesmo com a Pessoa Física, sob o mesmo argumento, chega a ser desumano, antiético e irresponsável.
Seria o mesmo que eu dizer para minha empregada que ela só receberia no final de dezembro seu salário de setembro porque , como tenho agência e meus clientes, alguns com nomes fortes que ela vê na mídia gastando fortunas, dos ramos de Petróleo, bebidas, tecnologia e serviços, decidiram que eu só receberia pelo trabalho realizado para eles no mês setembro nessa data. Ah, e que ela teria um desconto de 10% do valor do seu salário porque um deles, para me pagar em Dezembro, exigiu o desconto. Faz sentido pra alguém?
Vamos combinar. O que é absurdo para as agências é mais para os fornecedores e infinitamente mais absurdo para os profissionais. Então quem está ganhando com isso? O cliente? As marcas? Os profissionais de compras, suprimentos e marketing? As agências? Os fornecedores? Os profissionais do mercado?
Caramba, diante da resposta óbvia: NINGUËM. Eu faço outra pergunta: Porque a gente não se une para que as coisas tomem um rumo mais profissional na defesa de nosso mercado?
A AMPRO está aí. Atenta e brigando os Fóruns devidos, mas como pode fazer isso se o número de associados não é proporcional ao problema que o mercado vive?
É hora de um basta. Aprendi que os sintomas de uma empresa que vai quebrar são: Primeiro não paga ou atrasa o pagamento de seus impostos. Mas sobrevive. Depois deixa de pagar ou atrasa com seus fornecedores e parceiros. Ainda assim consegue sobreviver. Por fim, não paga ou atrasa os compromissos com seus funcionários e aí…. NÃO TEM JEITO: QUEBRA! Porque gente é sempre o maior patrimônio de uma empresa.
Ora, com o mercado o processo é o mesmo. Se a gente não respeita mais nossa gente. Quem vai respeitar a gente? Quem vai pagar esse pato?
Leia também: 60 dias para pagar?…








Até que fim alguém falou a respeito. Sempre achei o maior absurdo, mas o mercado me pareceu sempre achar natural. Que temos que nos unir, não há dúvida, embora agora tarde, do que nunca.
Muito bom. Vejo que tem gente inteligente pensando o que é importante.
concordo plenamente e gostaria de saber quem vai poder nos socorrer será que é chapolin colorado?
se tiverem algum forum debate podem contar com a gente
Antônia souza
Winner Atores e Modelos
Parabéns… Fundemos uma nova associação que realmente seja parceira das agências e não dos grandes clientes…
Finalmente uma voz.
Bom, só se explora porque existe quem se submete a isso.
Quem não quer ser explorado, é só tomar atitude, saber até onde vai o limite do aceitável, ter coragem de abandonar os exploradores e ir procurar empresas sérias para trabalhar.
E não venham dizer que não existem empresas sérias. Existem sim. Tá certo que não estão aí pra qualquer um, mas como quem se mexe e corre atrás não é qualquer um, procurando se encontra.
Uma relação de trabalho é coisa séria. Quem está ali dedicando seu tempo e se esforçando por um bom resultado, faz isso por um retorno, reconhecimento, respeito, dinheiro. Se é pra investir seu tempo e seu dinheiro, atrás de um prometido retorno, que seja num projeto seu, e não no dos outros.
Mas aí vem aquela máxima de vestir a camisa, de dar o sangue. Ora, isso é pura balela de trololó motivacional, que existe pra desvirtuar as idéias reais de uma sociedade capitalista, onde o motivo é o dinheiro. Grana, dindin, tutu, bufunfa, pura e simplesmente a mais motivacional ferramenta que já conheci até hoje. O resto é conversa pra boi dormir, aliás, de barriga vazia nem o boi dorme.
Parabéns pelo texto, Tony.
Poderia alegar que em alguns casos, principalmente em ações que envolvem muitos profissionais, até mesmo o pagamento de pessoas físicas fica comprometido…digo, aqui na agência, eventualmente não temos condição de pagar nem mesmo pessoas físicas se não recebermos do cliente.
Mas essa discussão não seria produtiva.
O fato é o que você deixa claro no seu texto: não faz sentido que agências, fornecedores e pessoas físicas deixem de receber o que lhes é devido num prazo razoável.
Essa prática enfraquece o mercado e parece ter contaminado até os clientes grandes e sérios.
Uma pena e uma vergonha.
Assino embaixo e divulgo.
Abraços
Neto
VP de Criação, Bullet
Texto sensacional. Valeu Neto, por ter divulgado. Faz todo o sentido!
Diga-se de passagem que são justamente os grandes e dito sérios os que atualmente puxam esse bonde, se valendo da demanda, do nome, da visibilidade, e principalmente da burocracia interna que é incompreensível…Como um número de ordem de serviço para emissão de uma simples nota pode demorar um mês para ser gerado? O job que deveria ser pago em 60 dias passa para 90.
A verdade é que não só as relações e o respeito entre grandes clientes e seus fornecedores estão se deteriorando, mas também a qualidade do trabalho.
Não existe mais parceria, (entenda-se relação de confiança, profissionalismo), quase tudo se resume a preço. Parceria virou sinônimo de pedir job no risco!!! Ai você é parceiro!!!
A única maneira de lutar contra isso é manter sua postura profissional. Negando, se impondo e principalmente sendo necessário para o seu cliente, pois hoje se ele puder te descartar ele o fará.
Eu concordo, porém a discussão é muito mais ampla.
Nosso mercado (BTL) é muito novo, não discutimos ainda muitos aspectos, como por exemplo, a forma de remunerar as agências (5% de honorários???).
Acontece que maior parte dos nossos clientes são despreparados e questionam a forma como trabalhamos sem conhecimento de causa (Outro dia o cliente perguntou por que, tinha que pagar finalização se ele já tinha pago a criação)!!!
Não existe faculdade de Evento ou de Mkt promocional (sim eu sei daquela instituição de ensino que tem um curso que ensina a trabalhar em hotel) ou seja, para aprender tem que ser na raça.
E também por outro lado, temos um mercado entupido de agências… todo mundo quer ter agência hoje em dia, porém, não levam em conta o custo do negócio. Cobram uma merreca que só serve pro cliente virar e dizer: Viu? a agência XPTOZ faz neste custo, por que vocês não fazem?
Um coisa eu garanto: A Agência XPTOZ vai quebrar…. só que vai levar uns dois anos para quebrar… e até lá, tirou job de outras agências, acostumou mal o cliente e ferrou mais um pouco com nosso mercado prostituido!
A mas então a culpa é dos clientes e das agências né??
Não, não é só!!!
Como falei mais cedo, é um mercado novo, que falta preparo e profissionalismo etc etc etc….
E aí entra a minha maior briga: Fulano vai lá, ta fazendo faculdade de Farmacologia, e um amigo dele que é produtor da Agência XPTOZ chama ele pra fazer controle de acesso no show do Luan Santana, e, automaticamente o cara vira o que? Um PRODUTOR DE EVENTOS!!!
Aí ele manda o curriculo como produtor de eventos, por que agora todo mundo é produtor de eventos, só que ele trabalha como freela, só pra pagar as brejas e baladinhas, então ele não precisa sustentar a família como produtor de eventos… se ele ganha R$ 180,00 a diária ta beleza também… e vambora…
E, o cara que é especializado, que é um produtor executivo de verdade, perde volume de trabalho… assim como as agências, etc etc etc… e começa o ciclo mais uma vez…
Vamos discutir? Vamos, mas vamos discutir tudo… vamos rediscutir o mercado… a forma de trabalhar…. a forma de remunerar… tudo… nosso problema é muito maior… receber do cliente em 60 dias é sintoma, não causa!!!!
Victor, voce disse tudo,parabéns.
Victor, parabéns pelo posicionamento e percepção da realidade. Infelizmente não podemos apenas acusar nossos clientes de nossas próprias faltas e omissões. Eles só fazem o que fazem porque nós iniciamos um processo de banalização da profissão. Um produtor é muito mais do que simplesmente uma tentativa, ele é o aprendiz constante e o mentor das respostas e para isto, anos de prática e dedicação, dentro e fora do ambiente de trabalho.
Concordo com você.
Fico feliz em saber que a galera do nosso mercado se propõe a discutir o assunto com a profundidade que ele merece, claro. Pessoas como o Vitctor, Rafael, Lucia, Marcelo, Gilmar, João Paulo, Antônia, Rosely, o Neto e o Kito tem autoridade maior que a minha para falar dele, possivelmente, porque, assim como eu, vivem essa realidade. Meu texto é um desabafo centrado em gente amiga, profissionais de primeira, que respeito e admiro, e que não podem passar pelo que estão passando simplesmente porque a cadeia que nos foi imposta por todas as razões expostas ganhou um tom de autofagia. A AMPRO está mudando agora e nossa posição, por exemplo, pode determinar os novos rumos que seguiremos na relação com as áreas desses clientes responsáveis pelos danos e também com essas pseudo Agências que comprometem o nosso mercado. Esse espaço aqui não é meu. É do mercado. É só escreverem que a gente abre esse espaço. Precisamos ter voz. Somos sim PROMOCITÁRIOS e ponto.