Ana Gabriela Lopes

Como construir uma marca amada num mundo hiperconectado?

A CMO do iFood compartilha alguns diferenciais por trás das campanhas da marca mais amada do Brasil

Spoiler: não é uma tarefa simples. Não se trata apenas de criar campanhas criativas, o marketing precisa refletir exatamente a cultura e o jeito de trabalhar da empresa, e estar onde as pessoas estão. E é exatamente esse caminho que a gente vem trilhando no iFood.

O iFood é uma empresa brasileira de tecnologia, uma gigante que impacta o país e a vida de milhões de pessoas direta e indiretamente. E que tem como valores indissociáveis a inovação, a busca por resultados, o trabalho em equipe e a mentalidade empreendedora.

E como levar isso para o marketing, gerando conexão emocional e apresentando exatamente o que somos para um país continental como o Brasil? Qual o segredo do iFood para criar campanhas criativas, autênticas, inovadoras e que geram tanto amor de marca?

Primeiro, é sobre ser autêntico

O iFood nasceu em 2011, como um guia impresso chamado Diskcook, e virou um aplicativo em 2013. Só em 2015 estreamos a nossa primeira grande campanha publicitária e foi na TV com o ator e apresentador Fábio Porchat (quem não se lembra da Judite?). Num primeiro momento, até pareceu contraditório uma startup fazer uma campanha na televisão, mas o fato é que nosso objetivo era apresentar a categoria de delivery para a população, fora do universo digital, e, assim, começar a construir o conhecimento da nossa marca por meio da assinatura sonora “iFooood” (hoje, um clássico).

Desde então, a inovação combinada com a criatividade sempre esteve presente no nosso jeito de fazer marketing, assim como nosso tom bem humorado.

Também é sobre ouvir atentamente e conhecer muito o nosso público

Não temos receio de ir aonde o nosso público está. Nossa parceria com a CazéTV, por exemplo, começou com a Copa do Mundo masculina de 2022, como uma grande aposta em vários sentidos. Foi a primeira vez que patrocinamos um evento esportivo desse porte e em uma edição que estava competindo com Black Friday, Natal e que foi transmitida em larga escala no digital pela primeira vez. Não sabíamos se ia dar certo, deu frio na barriga, mas uma coisa tínhamos certeza: teríamos muito aprendizados.

E fomos, com o mesmo medo e brilho no olhar de quem está empreendendo, descobrindo como fazer diferente e se tornar relevante. Na Copa do Mundo feminina, no ano seguinte, repetimos a ousadia e transmitimos os jogos da CazéTV pelo app do iFood, o que nos rendeu nosso primeiro Leão em Cannes, o maior reconhecimento da publicidade mundial. A partir do Brasil, tivemos projeção global.

E sobre ter bons parceiros

Seguindo um dos ensinamentos do publicitário Nizan Guanaes, que por meio da N.ideias se tornou um grande parceiro estratégico do iFood, ao invés de pegar várias iniciativas pequenas e tentar torná-las grandes, muitas vezes, é melhor escolher algumas apostas e transformá-las em algo gigante e potente, sem criar burocracias e sem medo de ousar.

Desde 2022, quando iniciamos nossa parceria, temos feito exatamente isso. E dá certo, porque sonhamos grande juntos, como a nossa cultura prega, e também temos autonomia e, portanto, uma capacidade enorme de ter velocidade na tomada de decisão.

E sobre estar nos lugares certos

Ter patrocinado o Big Brother Brasil pela primeira vez em 2024 também nos rendeu muitos aprendizados, como, por exemplo, a relevância das redes sociais para as marcas patrocinadoras. Mesmo quem não acompanha o programa sabe o que está acontecendo, porque as redes sociais desempenham um papel complementar importante durante os quatro meses de transmissão.

É a TV fornecendo conteúdo para o digital e pudemos vivenciar esse fenômeno de perto. Na grande final do BBB, com uma única inserção no intervalo do programa, aproveitando as conversas que existiam no mundo virtual sobre a participante Bia, alcançamos o trend topics das redes sociais.

Na época, vários artigos de opinião e reportagens buscaram “desvendar a estratégia do iFood” por trás dessa campanha, mas o que a maioria não sabe é que não fizemos um plano estratégico, com idas e vindas, passando por várias instâncias de aprovações internas. Não tivemos nem tempo para isso. O nosso foco naquele momento era fazer dar certo. Tínhamos uma ótima ideia e um time focado e engajado para fazer acontecer em tempo recorde.

A nossa agência nos apresentou a campanha 72 horas antes de ir ao ar e aqui é que entra o jeito iFood de fazer as coisas, a nossa cultura: com autonomia e velocidade para apostar assumindo riscos. E tivemos mais um componente essencial: o foco no simples, ou seja, não tivemos uma super produção, um roteiro complexo ou um cenário super elaborado, a locução foi feita pelo próprio criativo da agência, a produção foi um fundo vermelho, uma mesa, um prato de macarrão e uma sacola do iFood – a mesma que os clientes recebem com seus pedidos em casa.

O comercial foi ao ar na TV, mas a internet foi à loucura.

E como somos uma empresa brasileira também estamos no Carnaval, no Rock in Rio, no The Town, na Festa Junina, no próprio Big Brother Brasil, na CazéTv durante os Jogos Olímpicos, sempre exaltando a cultura do nosso país.

Por fim, nosso ingrediente especial são as pessoas

O iFood é feito de pessoas: 6 mil FoodLovers (nossos colaboradores), 55 milhões de clientes, mais de 360 mil entregadores, 380 mil parceiros comerciais, e aqui vale um destaque para o nosso brilhante time de marketing e comunicação, o qual tenho o privilégio de liderar.

Uma equipe com brilho nos olhos, guerreira, criativa, motivada, que não pede licença e é a prova viva de que cultura e marketing são essenciais para construir a marca mais amada do Brasil pelo terceiro ano consecutivo.

Ana Gabriela Lopes
Ana Gabriela Lopes

Reconhecida pela Forbes e pelo Infomoney como uma das maiores referências em marketing, Ana Gabriela Lopes, CMO do iFood, escreve sobre estratégias de marca, inteligência de mercado e inovação no setor de foodtech.