A Natura firmou uma parceria com a startup Bioverse para alavancar um projeto de mapeamento de restauração da biodiversidade da região amazônica.
Usando drones com inteligência artificial (IA), o estudo mapeou dados que servirão para projetos de preservação ambiental, monitorando, ao longo de seis meses, cerca de 60 mil hectares de florestas no Pará — ou, em termos práticos, 100 mil campos de futebol.
Projeto de biodiversidade se alinha ao objetivo da Natura de ser uma “empresa regenerativa” até 2050
“A Natura tem como meta ser uma empresa regenerativa até 2050, com impactos positivos para as pessoas, a natureza e a sociedade. Projetos como esse promovem um impacto ambiental, mas também social, a partir do momento em que são capacitadas as comunidades locais com inovação e tecnologia para que possam fazer uso sustentável dos recursos da Amazônia e prosperarem em seus negócios”, afirma Rômulo Zamberlan, diretor de pesquisa avançada da Natura.
De acordo com a empresa, o projeto é conduzido com o auxílio das comunidades de Abaetetuba e Irituia, das quais alguns indivíduos receberam treinamento especial para instalar e operar os equipamentos de monitoramento, bem como o uso de aplicações digitais para armazenamento, cruzamento e análise de dados coletados.
Além disso, o trabalho da Natura ajudará a empresa a reforçar suas linhas de produção, dentro da sua proposta de usar matéria-prima natural para a composição de seus produtos: a linha Ekos, por exemplo, usa bastante tucumã e açaí — ambos abundantes na região monitorada.
Para a marca, o projeto de análise da biodiversidade permitirá à Natura adotar e aprimorar práticas mais relevantes à conservação ambiental, no que tange ao uso de insumos naturais para seus produtos.
A tecnologia por trás da ação
A fim de alavancar o projeto de biodiversidade, a Natura contou com a Bioverse para criar uma tecnologia própria de monitoramento por drones — adquiridos da fabricante nacional Xmobots – para realizar o inventário florestal conduzido pela Natura no Pará. A plataforma, desenvolvida com apoio do Governo Federal via FINEP, também teve colaboração direta das comunidades locais durante sua implementação.
Francisco D’Elia, diretor-executivo da Bioverse, comentou que a plataforma utiliza IA treinada para reconhecer espécies amazônicas de interesse econômico e ecológico, além de classificar diferentes usos da terra. A empresa analisou milhares de imagens capturadas em sobrevoos na Amazônia para atingir esse nível de precisão. “O resultado é um sistema capaz de realizar levantamentos com resolução até dez vezes superior à disponível em imagens de satélites comerciais tradicionais, porém com um custo operacional reduzido”, ele disse.
Além dos drones e da plataforma de processamento, outras ferramentas digitais, acessíveis por dispositivos móveis para extrativistas e cooperativas locais, foram criadas.
Essas ferramentas oferecem acesso direto aos dados coletados, facilitando o planejamento da produção agroflorestal e o gerenciamento das áreas produtivas, além de possibilitar a participação de produtores regionais em iniciativas como projetos de créditos de carbono.
“Temos um compromisso claro: revolucionar a matriz produtiva agroflorestal da região. A parceria com a Natura demonstra que é possível estruturar a bioeconomia em larga escala na floresta, conciliando conservação e desenvolvimento sustentável.”
Francisco D’Elia, Diretor Executivo da Bioverse